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Tenho medo. Tenho medo porque te dei o melhor de mim e não chegou. Tenho medo porque fiz tudo por ti e não foi suficiente. Durante meses tive de escolher entre "eu" ou "tu" e sempre te escolhi a ti. Mas basta. Foram meses a escolher a "amizade" e a não receber nada em troca. Cansei. Por isso, da próxima vez que me deparar com a questão: "eu ou ela?", escolher-me-ei a mim. Estou a aprender a desistir do que não vale a pena. E a nossa amizade, não vale.

I can't stand seeing you cry.

E hoje vi-te chorar. Não por mim, mas estavas a chorar tão… sofregamente. Nesse momento esqueci tudo. Esqueci as outras pessoas, esqueci o quão errada tu me fazes sentir, esqueci de fingir que não me importo. Naquele momento eu só conseguia pensar que tinha de te ver melhor. Eu tinha de conseguir aliviar a dor que sentias. Inocentemente estiquei a mão e limpei-te as lágrimas. Disse uma parvoíce qualquer só para conseguir arrancar-te um sorriso. Resultou. E eu sorri também. Porque ver-te bem sempre me aliviou a alma. Gosto de ti. Porra, gosto muito de ti.

1174.

Já não faço ideia do que sinto por ti. Se ainda há restos da (nossa?) amizade ou não. Não sei se te amo, se ainda me preocupo, se ainda me importo. Não sei absolutamente nada. Acho que começo a habituar-me ao vazio que preenche o lugar que foi teu. E isso assusta-me, confesso. Não dá para te substituir, eu sei. Mas também não dá para fingir que está tudo bem e que não dói. Porque continua a doer. E muito. Há 1174 dias que dói mais do que eu consigo expressar. Sim, passaram exactamente 1174 dias deste que as coisas começaram a correr mal e nunca mais endireitaram. De alguma maneira parece que foi ainda ontem que eras a melhor coisa que eu tinha na vida... Que eu achei que tinha. Porque a minha mente relembra-me sempre desses momentos, sabes? Talvez seja por isso que, mesmo passado todo este tempo, ainda não tenha conseguido desenlaçar-me de ti. Dou gritos mudos e tento convencer-me que nada irá voltar, nunca. Fecho os olhos com toda força e só peço para que o tempo consiga - não curar - mas amenizar todos os estragos que provocaste em mim. Desejo-te o melhor do mundo mas, não posso mentir, desejo-to longe de mim. Com todo o carinho e sinceridade do mundo, aquela que te salvava de tudo e todos.